Um dos objetivos desse site é disponibilizar exemplos de redações no modelo do Enem para quem está se preparando para tal exame. A seguinte redação será a primeira. Ela foi escrita em 2018, durante o cursinho, e recebeu nota 1000.

Efeitos da divulgação de notícias falsas no Brasil contemporâneo.

Na visão de Sócrates e Platão, renomados filósofos da Grécia Antiga, os sofistas eram apenas manipuladores de opinião. De fato, esses pré-socráticos priorizavam o que pode ser defendido em relação à verdade e, assim, utilizavam mentiras para persuadir as pessoas na Ágora, local onde ocorriam os debates públicos. Atualmente, no Brasil, a divulgação de notícias falsas desempenha papel semelhante ao sofismo, sendo a internet seu principal meio de circulação. Diante disso, as consequências inerentes à referida prática provocam inúmeros efeitos negativos na sociedade, dos quais se destacam a lesão da democracia e as interferências na saúde pública.

Em primeiro lugar, as “fake news” podem influenciar as opiniões políticas dos cidadãos. Um exemplo disso foi o acontecido com a vereadora carioca Marielle Franco, assassinada em março de 2018. Após a comoção nacional gerada pela trágica morte da parlamentar, grupos, como o Movimento Brasil Livre (MBL), passaram a divulgar matérias as quais informavam, erroneamente, que ela era casada com um ex-traficante e usuária de drogas. A partir disso, grande parte da população adquiriu uma imagem ruim de Marielle e do seu partido (PSOL), desqualificando a sua luta pelos direitos humanos e por igualdade. É notável, pois, a manipulação da opinião pública, análoga ao sofismo, cujos efeitos ferem a democracia.

Em segundo lugar, manchetes pseudo-científicas atingem um grande contingente, uma vez que a internet potencializa o alcance das notícias falsas. Dessa forma, desde curas milagrosas para doenças crônicas, até mentiras sobre vacinas podem ser compartilhadas por todo o território brasileiro. Segundo Jandira Feghali, deputada federal e médica, a poliomielite estava erradicada desde 1990, porém, em 2016, o país registrou 84% de imunização, a pior taxa da última década, em comparação aos 95% recomendados pela OMS. Nesse sentido, manchetes circulantes nas redes sociais do tipo “A vacina é mortal; essas doses já mataram milhares”, conforme denuncia o Correio Braziliense, desencorajam pais a vacinarem seus filhos, contribuindo para a reintrodução de epidemias já combatidas.

Destarte, para aniquilar os danos causados pela divulgação de “fake news”, é necessário desenvolver nos cidadãos a habilidade de reconhecer notícias falsas e não compartilhá-las. Para isso, o Ministério da Educação de introduzir ao currículo dos ensinos Fundamental e Médio e a realização de aulas temáticas, palestras e debates, nas escolas públicas e privadas, com a participação dos alunos e de seus pais. Durante essas atividades, serão expostas as características das matérias mentirosas, como o caráter sensacionalista e letras em “caixa alta”. Além disso, serão propostas maneiras de evitar o convencimento por essas notícias, por meio da verificação da fonte e do não repasse sem comprovação da veracidade. Por conseguinte, consolidar-se-á uma ampla rede de resistência ao problema, o que reduzirá a sua abrangência e enfraquecerá seus efeitos.

Autora: Joana Mendes