A pupila é a abertura que permite a entrada da luz no olho e seu aspecto escuro se deve aos pigmentos que absorvem luz presentes na retina. Ela é circundada pela íris, cuja pigmentação origina aquilo que chamamos de “cor dos olhos”. A íris contém dois músculos os quais podem alterar o tamanho da pupila, um a torna menor quando se contrai, e o outro a torna maior.

Graças a esses músculos, a pupila contrai e dilata, o que permite o seu ajuste diante das diferentes intensidades de luz as quais somos submetidos. Quem nunca ficou por alguns minutos em frente ao espelho acendendo e apagando a luz para observar as mudanças de diâmetro da pupila, não é mesmo?

Sabemos também que alguns fármacos, como a atropina, produzem efeito bloqueador em receptores de neurotransmissores, estimulando as pupilas a ficarem bastante dilatadas (midríase), e isso causa embaçamento e “falta de foco” na visão.

Mas além de reações a fatores externos, esse orifício do olho possui outras funções importantes. Em um artigo publicado no ano de 1965 na revista Scientific American, o psicólogo e pesquisador Eckhard Hess descreveu, poeticamente, a pupila como uma janela para a alma. Ele inicia o artigo contando sobre uma noite na qual folheava um livro com fotografias muito bonitas de animais e, por acaso, sua esposa observou que as suas pupilas estavam extraordinariamente grandes. A sensação causada por aquelas fotos provocava o aumento do diâmetro das pupilas de Eckhard, indicando uma relação entre o tamanho da pupila de uma pessoa e suas respostas emocionais a certos aspectos do ambiente.

Hess também fala em seu artigo sobre a beladona, uma substância dilatadora da pupila usada como cosmético no antigo Egito e na Roma Antiga para atender ao padrão de beleza da época. Ao final do artigo, o autor apresenta duas fotos de uma mesma mulher considerada bonita. Entretanto, em uma das fotos, ela aparenta estar mais atraente, e é justamente a foto na qual ela está com as pupilas dilatadas. Outro caso citado é o de compradores em um bazar que usam óculos escuros para ocultar dos vendedores seu nível de interesse em comprar determinado produto, já que o interesse vem acompanhado da dilatação das pupilas.

Ademais, Hess descobriu que as pupilas são indicadores sensíveis de esforço mental- elas dilatam significativamente quando as pessoas multiplicam números de dois dígitos, por exemplo, 13 x 47. E elas dilatam em maior grau com os problemas mais difíceis e em menor grau com os problemas mais fáceis.

A relação entre o tamanho da pupila e esforço mental foi estudada, também, pelo vencedor do Prêmio Nobel de Economia em 2002, Daniel Kahneman, e seu aluno de graduação, Jackson Beatty. Kahneman e Beatty desenvolveram, em laboratório, um equipamento semelhante ao de um consultório de oculista com o qual pudessem medir a variação de tamanho da pupila durante a realização de algumas atividades.

Eles descobriram que o tamanho da pupila varia segundo a segundo, refletindo as alterações de exigência das tarefas. Foi observado, durante os experimentos, que o diâmetro cresce à medida que a complexidade da tarefa exercida aumenta, atinge um pico quase intolerável e relaxa gradualmente ao passo que a memória de trabalho é descarregada. Esse tipo de memória atua enquanto a informação está sendo adquirida, a retém por alguns segundos e, então, a destina para ser guardada por períodos mais longos, ou a descarta. Em tarefas de multiplicação, a pupila permanece dilatada enquanto a pessoa realiza a tarefa e contrai assim que ela encontra a solução ou desiste.

Sendo assim, não é possível dizer qual cor de olho é a mais bonita, pois essa é uma questão subjetiva. Mas é possível dizer que o olho castanho-escuro é o mais misterioso por ser menos perceptível a visualização da dilatação da sua pupila.

Infelizmente, não encontrei estudos detalhados que relacionam a variação de tamanho das pupilas às emoções, mas, de fato, é fascinante saber que, ao observar os olhos de alguém, podemos saber tanto sobre a mente da pessoa. Talvez, mais do que se os pensamentos fossem traduzidos em palavras.

Referências:

  • HESS, Eckahard H. Attitude and Pupil Size. Scientific American, p. 46-54,1965.
  • KAHNEMAN, Daniel; tradução Cássio de Arantes Leite. Rápido e devagar: duas formas de pensar- 1ed- Rio de Janeiro: Objetiva, 2012.
  • BEAR, Mark F.; CONNORS, Barry W. PARADISO, Michael A.; tradução Carla Dalmaz … et al. Neurociências: desvendando o sistema nervoso – 4. ed. – Porto Alegre: Artmed, 2017.

Por: Joana