A palavra vacina tem origem no latim vaccina, que significa “de vaca”. Sua história teve início no século XVIII, em Berkeley (Inglaterra), quando Edward Jenner, um médico formado em Londres, realizou experimentos relativos à varíola, uma das doenças mais temidas da época. Naquele tempo, havia duas formas de varíola: a humana, bastante letal, e a bovina, mais branda. Jenner observou que as mulheres responsáveis por ordenhar as vacas ficavam, frequentemente, expostas a feridas de varíola bovina, e aquelas que adquiriam a doença desses animais não contraíam a forma humana.

A partir dessas análises, Jenner extraiu pus da mão de uma ordenadora que havia contraído a forma animal e inoculou no filho de seu jardineiro, um menino saudável de oito anos. A criança adquiriu a doença de forma amena e logo se curou. Quase dois meses depois, ele inoculou pus proveniente de varíola humana no mesmo menino, que não apresentou sintomas da doença. Apesar dos métodos extremamente questionáveis do médico, ele conseguiu tornar uma pessoa imune à temida doença. Seus estudos só obtiveram reconhecimento após profissionais de saúde de outros países adotarem a vacinação e obterem resultados positivos.

Hoje em dia, as vacinas, assim como medicamentos, passam por extensos protocolos de testes, os quais podem durar anos, a fim de garantir a eficácia da sua ação no organismo. Cada uma delas é desenvolvida a partir da compreensão do comportamento de determinado microorganismo, como um vírus, no interior do organismo. Vários fatores precisam ser verificados, por exemplo a dosagem necessária para imunizar, o número de doses e o tempo que leva para adquirir imunidade após a vacinação.

Até então, o estímulo da resposta imunológica contra os microrganismos por meio da vacinação é o método mais eficaz de proteger os indivíduos contra infecções, e essa abordagem levou à erradicação mundial da varíola, a única doença que foi eliminada do mundo pela intervenção humana e isso se deu por meio de um programa mundial de vacinação (Abbas et al., 2013). No Brasil, o SUS, por meio do Programa Nacional de Imunizações (PNI), disponibiliza, por ano, mais de 300 milhões de doses de vacinas de diversos tipos. Ao final, há um link da página do Ministério da Saúde com a lista de vacinas fornecidas pelo SUS.

Abaixo segue uma tabela retirada do livro Imunologia Básica, de Abul Abbas, Andrew Lichtman e Pillai Shiv, mostrando como muitas doenças foram amplamente controladas com a vacinação.

Mas o que é a vacinação?

A vacinação é o processo que estimula a produção de anticorpos contra os microrganismos por meio da exposição a formas ou componentes não causadores de doenças desses micróbios. Anticorpos são proteínas do sistema imunológico capazes de neutralizar os invasores. Cada anticorpo é especializado em agir contra um tipo específico de agente infectante.

Diversos tipos de vacinas estão em uso e sendo desenvolvidas. Algumas das vacinas mais eficazes são compostas por microrganismos atenuados, os quais são tratados para perder sua capacidade de infectar (infectividade) e de causar doenças (patogenicidade) ao mesmo tempo que mantêm a eficácia em gerar resposta do sistema imune por meio da produção de anticorpos (antigenicidade).

Isso é feito a partir de sucessivos meios de cultura nos quais são oferecidas as melhores condições ao vírus ou à bactéria. Nesse ambiente farto, os microorganismos possuem tudo o que precisam para viver e, assim, os seres mais infectantes perdem a vantagem da seleção natural, pois a capacidade de infecção não é mais um fator necessário para a sobrevivência e reprodução. Por isso, eles seguem a tendência de reduzir a capacidade de infecção ao longo das sucessivas culturas até se tornarem inofensivos para pessoas saudáveis.

Portanto, a imunização com microrganismos atenuados estimula a produção de anticorpos contra antígenos microbianos, o que protegerá os indivíduos vacinados caso sejam infectados novamente. Antígenos são substâncias estranhas ao organismo, as quais podem desencadear a produção de anticorpos. Em algumas infecções, como a poliomielite, as vacinas são administradas pela via oral, para estimular as respostas de anticorpos nessa área, pois a transmissão do vírus acontece, principalmente, por gotículas expelidas.

Além das vacinas com microorganismos atenuados, há as vacinas de subunidade e as conjugadas, em ambas, o micróbio não é utilizado inteiro. As primeiras são formadas por proteínas microbianas e por polissacarídeos (açúcares) e causam a mesma resposta das vacinas atenuadas. Exemplos delas são as vacinas contra tétano e difteria. A segunda possui polissacarídeos microbianos associados a proteínas, é usada em vacinas contra bactérias, as quais possuem cápsulas compostas por açúcares, e também induz a produção de anticorpos. Exemplo desse tipo é a vacina Hemófilos Tipo B, aplicada em crianças, contra uma bactéria causadora de algumas doenças, incluindo meningite e pneumonia.

Entretanto, a reação imunológica mediada por anticorpos é uma das frentes de batalha do sistema imune. A outra é a imunidade mediada por células, a qual age contra microorganismos intracelulares. O desafio atual é criar vacinas capazes de levar os antígenos para o interior das células.

Melhor do que se curar de uma doença é não contrair uma doença. A prevenção, na esmagadora maioria dos casos, é o caminho mais seguro e menos custoso, principalmente, no âmbito da saúde. Nesse aspecto, a vacinação constitui a forma mais eficiente de prevenir doenças e é capaz até de erradicá-las, como ocorreu com a varíola. Infelizmente, no Brasil, movimentos antivacina ganharam força nos últimos anos e isso levou ao ressurgimento de doenças que já haviam sido eliminadas do país, por exemplo o sarampo. Em 2016, a Organização Mundial da Saúde (OMS) considerou o Brasil livre do sarampo, porém, no ano passado o país teve mais de 13 mil novos casos da doença, contabilizando 15 mortes até o mês de novembro.

“Eu nunca tomei vacina e não tive nenhuma doença, porque meu sistema imunológico é resistente”. Quem faz esse tipo de alegação não contraiu doenças evitáveis por vacinas, muito provavelmente, por não ter entrado em contato com os microorganismos causadores delas. Se um indivíduo vive cercado por pessoas vacinadas, ele está no interior de uma barreira protetora, mas, se ele sair dessa proteção e ter contato com alguém infectado, há grandes chances de ele adquirir a infecção.

No presente momento, o desenvolvimento de uma vacina contra o vírus causador da Covid-19 é uma das maiores esperanças para solucionar a atual pandemia. Conforme foi informado por Gustavo Cabral, coordenador de estudos no Instituto do Coração (Incor), ao site de notícias G1, a expectativa é de que a imunização seja disponibilizada a partir do próximo ano. Gustavo e sua equipe desenvolvem uma pesquisa para criar uma vacina contra o novo coronavírus. Até que a vacina esteja pronta ou algum remédio eficiente seja encontrado, o melhor a se fazer é seguir com o isolamento social e as demais medidas de prevenção.

Por fim, vacinar as pessoas pelas quais você é responsável e se vacinar é um ato de respeito à vida. Fazendo isso, você estará se protegendo e protegendo a todos ao seu redor.

Por: Joana

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