O tema da redação do ENEM 2019 surpreendeu a todos pela característica genérica e ampla da questão: “democratização do acesso ao cinema no Brasil”. Mesmo assim, consideramos que a maneira de se escrever sobre o assunto é a mesma.

Conforme apresentado no post “como escrever para o ENEM?”, meu jeito de fazer a redação consiste em seguir uma espécie de receita de bolo, que pode ser visualizada por meio de um mapa mental. Esse mapa está disponível pra você baixar, no fim desse texto, e explicado no post “como escrever para o ENEM?”, também linkado no fim do texto.

Aqui, vou mostrar pra vocês, na íntegra, como ficou a minha redação do ENEM 2019, e o rascunho no qual eu desenhei o mapa e construí as ideias. Vamos, primeiro, para o rascunho. Não se assustem!

Como comentado na outra postagem, eu começo a escrever pelo último parágrafo (último quadrinho vermelho na imagem), propondo as soluções para a problemática do acesso ao cinema, me atentando para responder todas as perguntas necessárias desse tópico: o que fazer? Como fazer? Quem deve fazer? Por quê? E para quem?. As perguntas estão representadas no quadrinho verde da imagem.

Partindo daí, tendo todas as referências e ideias para citar e desenvolver nos parágrafos “anteriores”, começo a escrever toda e qualquer ideia que me vier à cabeça. Tanto é que o alto da folha, o lado direito e esquerdo estão preenchidos com trechos que utilizei no meio dos parágrafos. Agora, vamos para a redação.

“O crítico literário Antônio Cândido, em seu ensaio ‘Direito à Literatura’, defende a classificação das artes, entre elas, o cinema, como ‘bens incompressíveis’, isso é, são direitos fundamentais à existência humana. Para Cândido, os indivíduos necessitam, constantemente, contados ficcionais, os quais podem ser encontrados nas telas dos cinemas. Entretanto, no Brasil não é isso que acontece, já que uma pequena parcela da população tem acesso aos espaços culturais das artes cinematográficas.

Em primeira análise, faz-se necessária a relação entre o acesso restrito às salas de cinema, e a desigualdade social extrema no país, como denunciado pelos últimos índices socioeconômicos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em quadros como esse, é comum haver, também, uma segregação socioespacial da população, como defendido pelo geógrafo Milton Santos. Essa, por sua vez, distancia quaisquer salas de cinemas, ou demais manifestações artísticas, das periferias e das cidades de pequeno porte, concentrando-as em grandes centros urbanos, nos quais apenas camadas elitizadas da sociedade têm voz.

Em segunda análise, acrescenta-se que a carência de cinemas acessíveis interfere, diretamente, na esfera crítica e emancipadora da população, uma vez que a produção cinematográfica acrescenta novas visões de mundo ao telespectador, como dissertado pela cineasta Petra Costa, diretora do filme-documentário ‘Democracia em Vertigem’.

Portanto, conclui-se que ao tornar o cinema acessível, econômica e espacialmente, resolver-se-á grande parte dos problemas relacionados ao acesso à arte cinematográfica. Dessa forma, o Poder Legislativo Federal deve criar propostas de emendas à Constituição (PECs) que visem a obrigatoriedade dos municípios de transmitirem filmes semanalmente, em áreas de acesso público. Os filmes devem ser colocados em cartaz, realizando-se a devida propaganda em redes sociais e associações de bairros. Assim, uma grande parcela da população terá assegurado o direito incompressível do cinema e da arte, como defendido por Antônio Cândido.”

Mapa para baixar e treinar: https://facaamoladacom.files.wordpress.com/2020/04/mapa-1.pdf

Por: Átila Soares.